-Ah! Quem pôs isto na minha porta?!
Era um lápis no chão. Alguém tinha apertado a campainha e deixou a caneta vermelha no chão. Robson olhou curioso. Era uma caneta transparente e dava para perceber que havia algo dentro. Era um papel.
Vendo que não tinha ninguém na rua, deu um passo para trás e, desconfiado, fechou o portão. Deixou a caneta ali mesmo em frente ao portão de sua casa. Pensou: Não é comum este tipo de brincadeira por aqui em Mangabeira. - Mangabeira é um Bairro de João Pessoa.
Solteiro, nunca quis formar família e, quando chegou perto, logo desistiu. Não era sua ideia. Achava que seus planos seriam frustrados se uma esposa ou até um filho o atrapalhasse. Não queria laços familiares. Sentia que bastou a vida ruim e pobre na casa de seus pais, donde rápido saiu.
Sentado numa cadeira de balanço, lembrou da ex-noiva. Pensou se não valeria a pena ter seguido em frente. Mas não queria pensar nela. A Rebeca era dificil de lidar. Ela não escondia que o amava e que queria se casar. Sonhava com aquilo. Até que uma dia ele resolveu terminar. Deixou Rebeca entristecida e foi fazer sua vida em outro bairro. Mas moravam na mesma capital.
Olhou ao relógio, meia noite, decidiu ir dormir. Poucos passos andou. Em sua casa pequena de dois quartos havia pouco espaço para andar.
Deitou. Seus olhos iam apagando, quando do nada ouviu um estalo. Algum barulho o acordou. Robson, assustado, levantou-se em um pulo. Deixou as luzes apagadas. Sabia que assim o bandido não o veria de fora de casa. Isso se fosse mesmo algum bandido. Buscou na cozinha uma faca de serra.
Parou um pouco na sala. Não escutou nada. procurou por brechas na porta. Nada.
Pensou estar enganado. - Pode ser algum gato! - Exclamou - Aqueles malditos fazem barulho toda noite!
Resolveu abrir a porta. tudo muito escuro. Sua ideia era olhar por cima do muro e ver de onde veio o barulho.
Abriu a porta. Apenas a luz de um poste a alguns metros dali clareava o muro de sua casa. Mas ele sabia que não havia nada para se assustar. Confiante, pôs a cabeça por cima do muro para ver se ainda veria a fonte do estalo.
Ao mesmo instante, sentiu algo penetrar em sua garganta.
No momento em que pôs a cabeça por cima do muro para enxergar alguma coisa, uma mão o trespassou por baixo.
Sem saber quem o atingira, Robson morreu.
Uma poça de sangue se derramou de sua garganta. Nem mesmo os vizinhos notaram sua morte no instante.
Pela manhã, um vizinho viu uma quantidade de sangue que havia escorrido na calçada. Aterrorizado, chamou a policia.
O perito, ao ver o corpo, notou um lápis vermelho enfiado na garganta da vitima. Olhando aquele instrumento ensanguentado, notou um papel dentro da caneta.
Lá estava escrito: Seu sangue foi escrito nesta cor.
Nunca se soube quem o matou. Apenas que alguém queria assustá-lo e matá-lo. Como muitos outros crimes que acontecem no mundo... sem resposta.
Apenas cuidado! No dia em que achar uma caneta vermelha no seu portão. Não ponha o pescoço por cima do muro. A cor da caneta é a cor do seu sangue.
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| Imagem tirada do Pixabay.com |

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