A revolta das formigas

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Imagem retirada do pixabay.com

 

    Era uma vez um formigueiro. Daqueles bem numerosos, que a gente nem pode se aproximar senão leva ferroada. 

    E o formigueiro era bem prospero. As operárias trabalhavam harmonicamente e os zangões eram atentos. A rainha se banqueteava com a melhor comida. Era uma rainha afinal.

    Ela era a maior das formigas do enorme lar. Era mais negra que o mais negro dos zangões. Os zangões a seu redor também se esbanjavam com a fartura daquilo que ela não escolhia para comer.

    As operárias traziam a comida, entregavam aos zangões que recebiam os melhores alimentos.

    Mas um dia a fartura acabou. A floresta a seu redor estava diminuindo de tamanho. As formigas não sabiam o porquê. Bem. Algumas viam arvores derrubadas ao Leste, alguns lugares queimados ao Sul e só. A floresta parecia diminuir a cada semana.

    Até que a rainha percebeu que com o tempo as operárias traziam cada vez menos comida. 

    - Operárias! A mamata acabou! Aumentarei sua carga de trabalho! - Decretou a majestade.- Os tempos estão difíceis, portanto terão de buscar mais alimento. Quem discordar será severamente punido!

    As operárias não sentiram problemas. Trabalhavam 6 horas por dia. Algumas horas a mais, não faria mal. O problema é que a rainha aumentou a carga de trabalho demais. Elas trabalhariam o dobro.

    Na primeira semana, algumas formigas não estavam conseguindo se adaptar com a nova carga horária, mas quem se importaria com 3000 formigas operárias, não é mesmo? O formigueiro tinha milhões.

    Enquanto via as suas buscarem por comida, a rainha se banqueteava e ficava mais pesada. Os zangões mais próximos também. Mas a guarda real já começava a perceber uma escassez de melhores grãos. Começaram a brigar entre si, tramar quem era mais leal ao formigueiro, disputar quem tinha mais privilégios. Começaram a se denominar "nobres".

     A escassez de bons grãos começou a atingir os zangões "nobres". Eles não queriam comer da mesma qualidade de grãos que as operarias. Quando alguém os questionava, diziam: "Somos os protetores da rainha, estamos a sua volta para protegê-la. Lembrem-se que ela é a mãe de todos, por isso precisamos ser fortes e comer da melhor qualidade".

    Os grãos de qualidade ganharam novo nome: grãos nobres. Quando uma operária achava um destes grãos nobres, se outra maior visse, a tomava a força e levava para ela mesma entregar aos zangões.

    Com o tempo a escassez de grãos aumentava. A rainha aumentou de novo a carga horária das operárias. 16 horas. Estava ficando insuportável ser operária naquele formigueiro. Algumas queriam partir, outras diziam: "Aqui é assim mesmo! Se não aguentar corra!".

    As operárias começaram a se dividir em dois grupos. Um grupo que era a favor da monarquia, que dizia que a rainha estava certa e que as operárias foram criadas para serem operárias. O outro grupo era a favor da substituição da rainha por uma mais jovem e bondosa. Este segundo grupo de denominava "A resistência" e suas ideologias chegaram aos ouvidos dos operários e, em consequência, dos nobres.

    Este plano era difícil de ser executado, porque quando a rainha dava a luz a uma fêmea, ela a matava para não ter risco de ter a coroa tomada.

    Só havia uma forma daquilo ocorrer.

    A rainha decretou que se alguma formiga fosse contra sua vontade, seria decapitada. Diante da ameaça, a resistência agia calada. As reuniões eram nos lugares mais escuros do formigueiro.

    Certo dia algo aconteceu. A rainha deu a luz a uma fêmea. Ao ver que se banquetearia, afiou as suas presas. Mas na hora de espremer aquela larva, um de seus operários intercedeu. Um dos nobres a ferroou com suas pinças, mas resistente a rainha pouco sentiu.

    - Traição! Matem este traidor! 

    A guarda real entrou no espaço real. A rainha apontando ao traidor que segurava a larva que ela se propunha a matar.

    Um dos "nobres" disse: Uma larva fêmea! É a nossa chance!   

    O zangões mais próximos da rainha se jogaram contra ela e a mataram com suas pinças e ferrões.

    Foi informado por todo o formigueiro que a rainha havia falecido ao dar a luz a uma ultima larva fêmea. Também foi informado que as operárias não trabalhariam mais 16 horas por dia, mas sim apenas 12.

    A guarda real, que já se denominava nobreza, continuaria a receber grãos nobres, já que agora teriam de proteger a nova rainha. Decretou também um dia de luto pela rainha falecida ao qual disseram ter tido o prazer de seguir. Enfim o discurso agradou os dois lados.

    E ainda teve festa entre as operárias.

    O sistema continuou o mesmo. A escassez de recursos continuava a diminuir. Mas elas comemoraram que iam trabalhar 12 horas por dia, sendo que no começo trabalhavam apenas 6.

    Continuavam a não poderem comer da mesma qualidade de grãos.

     


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