Um convite amigável

 

    Todo o bairro de Cruz da Armas estava frio naquela madrugada. Uma rara noite de frio. Era Julho.

    Raiza abria os olhos. Acordou sem saber onde estava. Apenas sabia que estava ainda escuro.

    Olhando ao redor viu algumas lápides. Estava em um cemitério. Sua pele gelada arrepiou da coxa até a nuca.

    Aquele local que vira todos os dias no ônibus parecia mais simpático de dia. Mas à noite é arrepiante. Simplesmente não sabia por que estava ali.

    Lembrou-se que tinha ido a uma festa. Um amigo havia a convidado.

    Lembrou que ele era estranho, pálido... diferente. Ele insistiu tanto em levá-la para alguma festa e ela sem perceber havia aceitado. 

    -Como aceitei aquilo? - Pensou Raiza.

    Ainda transtornada e, sem saber como foi parar ali, se olhou melhor. Sua pela estava quase branca. Aquele tom quase amarelado em sua pele, parecia mais um branco gelo. Teve frio.

    Olhou aonde havia acordado. Naquele momento que havia acordado, ela estava em cima de um tumulo. Não quis saber de quem era, afinal não importava. Havia manchas de sangue. Como se gotas houvessem pingado.

    Quando viu as gotas de sangue se assustou. Tocou em seu pescoço. Ao olhar a mão com o mesmo liquido carmesim, não teve duvida. Aquele sangue era dela! 

    O que havia acontecido? Parecia um sonho lucido... ou o pior dos pesadelos.

    Decidiu voltar para casa. Mas quem disse que tinha forças para chegar ao destino? Se sentia fraca. Era como se alguém tivesse tirado seu sangue de dentro dela. Como se uma doença circulasse em seu corpo desfalecido.

    O caminho para casa era distante. Já estava próximo o amanhecer. A cada passo sentia seu corpo pesar. Sentia necessidade de ter seu sangue de volta. Sentia necessidade de que circulasse vida em suas veias. Sentia necessidade de Beb...

    Beber?

    Era inconcebível, mas Raiza sentiu vontade de saciar sede de sangue.

    O Sol começou a soltar seus brilhos no céu. Sua casa estava a quadras dali. 

    Raiza sentiu estranho queimor. Além do cansaço que já sentia, sua pele ardia com aquele leve clarear. Era infalável como aumentava o ardor em sua pele conforme o Sol nascia.

    Ao chegar na esquina de sua casa, ainda  dando alguns paços, seu corpo sucumbiu. O Sol raiou e iluminou a rua que estava ainda deserta. Raiza ardeu a metros de sua casa.

    Seu corpo clareou em chamas. A dor causada pela combustão não vale a pena ser comparada. 

    Cinzas. Foi isto que restou.

    Hoje seus pais ainda procuram o paradeiro da jovem desaparecida. Onde anda Raiza. Não sabem eles o que pode ter acontecido.

    Os mais velhos de João Pessoa dizem aos jovens que é para ter cuidado quando um estranho o chamar para um lugar que não conheça. Bem... inclusive ter cuidado com convites de certos amigos.

    O mais intrigante sobre Raiza foi o fato de que algumas pessoas de sua rua dizem ter ouvido uma voz feminina gritar durante a madrugada pedindo por socorro para se aliviar do queimor.

    O que aconteceu com a alma de Raiza, nunca saberemos. Mas dizem que vampiros não vão para o céu.

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Imagem tirada do site pixabay.com

     

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